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segunda-feira, 3 de junho de 2019

viagem ao fim do mundo| promontório de sagres - passeio de bicicletas e leituras encenadas | 2 de Junho

«Não é verdade. A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança e narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: 'Não há mais que ver', sabia que não era assim. O fim de uma viagem é´apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.» José Saramago in 'Viagem a Portugal'. 

Três mulheres, três personagens, leram este texto nos três diferentes locais onde aconteceram as leituras encenadas integradas no DiVaM, Domingo, dia 02 de Junho. 
A primeira - Ana Gaspar - sentada de negro numa cadeira perto da entrada na Ermida de N. Sra. de Guadalupe, a segunda sentada - M. Conceição Gonçalves - de branco, dentro da cisterna na Mãe d'Água e a terceira - Joana Melo - à porta da Fortaleza, novamente de negro.

Quem partiu de viagem para a Fortaleza (os ciclistas), guiados por Susana de Medeiros e Reinhold Spielberger, antes de sair da Ermida de N. Sra. de Guadalupe, lavou as mãos, bebeu água e comeu amêndoas para se preparar para o caminho. Do interior da Ermida ecoava música antiga. Uma figura misteriosa, vestida de negro, permanecia junto a uma árvore.


















Na primeira paragem no lugar onde está a cisterna que abasteceu de água, em tempos, a vila de Vila do Bispo, e ao qual atribuímos o nome Mãe d'Água neste projecto, uma das actrizes, Joana Melo, iniciou a sua leitura encenada. Num dos textos - o da terra - contou-nos : Aqui neste lugar entre lugares. Na equidistância entre dois pontos indefinidos escrevo-me, sou escrita. Se eu fosse uma casa...Talvez nela habitasse os nomes de todos os que aqui estiveram antes.(...)

Noutro - o da água - disse: Já as águas aqui presentes se movem, abastecendo lá em baixo a fonte. Novamente. Já a sede chegou à boca e a boca secou. As bocas pedem água. (...) desta presença que existe em cada um destes golos que agora bebem em estado líquido, em cada um há o mar e o evaporar, há a chuva a gotegar e a tempestade, há a fonte e foz. Há inundação e dilúvio. (...) Em cada cada golo há humidade. Há lágrimas salgadas. (...)










 Os ciclistas rumaram à Fortaleza e depois de duas leituras encenadas à entrada da Fortaleza, uma delas sobre o fim do mundo, o promontório, com a proibição de pernoita no tempo dos gregos e dos romanos (M. Conceição Gonçalves) e de assistirem aos cânticos do coro que normalmente ensaia no Centro Cultural Comunitário de Almádena, ouviram excertos da Mensagem de Fernando Pessoa (Ana Gaspar).









Este projecto Viagens na Minha Terra - um passeio de bicicletas com Leituras Encenadas na Paisagem do Barlavento Algarvio foi organizado pela Tertúlia - Associação Sócio-Cultural de Aljezur no âmbito do programa DiVaM 2019 da D. R. da Cultura do Algarve.
Susana de Medeiros


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Fio da Memória #3 | Construir













Ciclo Linhas Cruzadas
Fio da memória #3 Construir
Ermida de N. Sra. de Guadalupe
Com Susana de Medeiros (artista plástica) e Raquel Morais (arquiteta)
27 de Outubro 2018
Início – 10h30

Uma linha do tempo sobre o território, sobre o espaço habitado.
No passado dia 27 de Outubro teve lugar uma conversa (apresentação) com a participação da artista plástica Susana de Medeiros e a arquiteta Raquel Morais sobre a utilização
da cana na arquitetura vernácula, a configuração de diferentes tipos de habitações
no Algarve ue utilizavam este tipo de material de construção, e, ainda, sobre a
utilização da cana nas hortas e na cestaria. O público interviu com diferentes
perguntas e comentários.
De seguida, após esta conversa, partindo de uma seleção de plantas de edifícios
públicos e monumentos do Algarve, resultante de um trabalho prévio de pesquisa, o
público foi convidado a transformar estes desenhos, que são uma construção abstrata
do espaço habitado e vivido com os sentidos, numa escultura – feita com canas e
diferentes fios (podemos, também, falar, de um desenho tridimensional).
Mediante exemplificação os participantes começaram a montar as canas em formas
bastante diferenciadas, umas mais tridimensionais que outras.
As diferentes esculturas foram, depois de terminadas, penduradas numa estrutura
de madeira paralelepípeda formando, no seu conjunto, uma escultura coletiva.
Esta estrutura pretendia ser uma outra «habitação» dentro da existente


















fio da memória #2 | Percorrer



Ciclo Linhas Cruzadas
Fio da Memória #2 Percorrer
Ermida de Nª. Sra. de Guadalupe
Dia 23 de Junho
10h30
Com a artista Manuela Caneco e o arqueólogo Ricardo Soares

Fazendo parte do Ciclo Linhas Cruzadas, Fio da Memória #2 Percorrer teve lugar na Ermida de N. Sra. De Guadalupe no dia 23 de Junho, às 10h30 , local onde Susana de Medeiros, Manuela Caneco e Ricardo Soares fizeram a apresentação do passeio orientado e performativo.
Houve uma participação especial de uma habitante de Barão de S. Miguel, D. Maria
Candeias, com mais de 80 anos, que deu a conhecer as suas memorias dos ritos ligados
à peregrinação à Ermida durante a sua adolescência – os pedidos relativos a fertilidade
dos campos e a chuva e as oferendas que eram feitas a virgem pelos camponeses.
Ricardo Soares, arqueólogo, fez o enquadramento histórico e arqueológico da Ermida e dos
monumentos megalíticos próximos da Ermida e Manuela Caneco, artista, realizou uma
leitura de um poema da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner seguida de uma
pequena performance em que procedeu ao chamamento dos ventos (baseada numa
reinterpretação de ritos gregos).
Deu-se, em seguida, início ao passeio a pé da Ermida até ao menir Aspardantas com os
víveres para o picnic, percurso que teve a duração entre 40 a 45 minutos - na ida - e
duração semelhante no regresso.
Chegados ao Menir Aspardantas, Manuela Caneco e Ricardo Soares, fizeram o seu enquadramento histórico e antropológico. Realizou-se uma performance baseada nas cerimónias gregas e/ou romanas com água e ramos de oliveira com a participação do público.
O picnic teve lugar logo após a performance, junto ao menir, sendo a comida servida numa
grande toalha de pano cru (de 6 metros de comprimento).









quarta-feira, 20 de julho de 2016

Bertílio Martins | Fotos 2016










Bertílio Martins | Ermida de N.Sra de Guadalupe | Julho 2016

Na Ermida de N. Srª. de Guadalupe (Raposeira, Barlavento Algarvio) inaugura no próximo dia 09 de Julho, Sábado, pelas 16h00, a terceira intervenção do Ciclo Derivas Continentais, uma intervenção do artista plástico Bertílio Martins que tem como título- ().
Esta intervenção artística apresenta-se como uma abordagem poética à presença do conjunto megalítico vicentino (são mais de duzentos menires os existentes no concelho de Vila do Bispo, havendo um núcleo bastante grande em locais próximos à edificação da Ermida como o de Milrei). O artista rege o seu processo criativo, nesta intervenção, por um questionamento da matéria sendo ela a cola que sustenta uma produção de significado.
Sandro William Junqueira, escritor, actor e encenador, irá apresentar às 17h00, uma leitura encenada numa aproximação e/ou choque, numa "deriva" em relação à instalação de Bertílio Martins.  
As palavras do Húmus de Raul Brandão acompanharão assim a instalação. "A leitura encenará a transformação que ocorre no processo de criação: o húmus é a parte fértil da terra, onde se entranham e confundem a morte e a vida." afirma Sandro W. Junqueira

Bertílio Martins nasce em Faro em 1984.
É licenciado em Artes Visuais pela Universidade do Algarve em 2011 e tem frequentado, como formação paralela, várias residências artísticas e workshops, como a “Réplica” (2013) em Tavira, ou “Plein Air 11” (2011) em Sevilha. Desde 2009 tem participado em várias exposições colectivas e individuais, 2015- “(Des)envolvimentos Emergentes”, Palácio da Galeria, Tavira; “Cadavre Exquis” Casa das Artes de Tavira; XVIII Bienal de Cerveira; 2013 - “Réplica”, Casa das Artes de Tavira; “VII Mostra de Arte Contemporânea” intercâmbio entre o Pólo Universitário do Rio das Ostras e a Universidade do Algarve, Portugal/Brasil; 2012- “É perigoso olhar para dentro” na Galeria Trem, Faro e  Homeless Place”, Lisboa.

Sandro William Junqueira nasce em 1974 em Umtali, na Rodésia e vive actualmente em Portugal.
Fez incursões em diferentes áreas artísticas como a música, a escultura e a pintura. Foi designer gráfico. 
Diz poesia e trabalha regularmente como actor e encenador. Lecciona expressão dramática. É autor de projectos e ateliês de promoção do livro e da leitura.
Publicou O Caderno de Algoz (Caminho, 2009), Um Piano para Cavalos Altos (Caminho e Leya Brasil, 2012). Foi um dos onze escritores da novela policial O Caso do Cadáver Esquisito (Associação Cultural Prado, 2011) e autor de um dos contos da colectânea Dez Contos para Ler Sentado (Caminho, 2012). Em 2012 foi considerado um dos escritores para o futuro pelo semanário Expresso.

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